O JULDO DA TOGA SOMBRIA - JOSIAS M DE ALCANTARA

V9.5
03:07
2026-10-24
1
Cordel contemporâneo e poesia cívica.
1
Eis que o terror da toga,
De uma forma tão letal,
Usa o comando da droga,
Domina tudo, faz mal,
Mata a lei de forma tal...
Assustando em consequência,
Com tamanha indecência,
Faz do povo um prisioneiro,
Com desdém e com braseiro,
Contrário à luz da ciência.
Eis que esse terror nos fere
E nos rouba a liberdade,
Tira o mérito do saber,
Coroando a atrocidade,
Mancha a identidade
De um país tão fagueiro,
Mutilado por inteiro
Em sua extensão sagrada,
Com a corrupção instalada
Prende o povo brasileiro.
Eis que a toga se disfarça
De poder constitucional,
Mas a verdade se esparsa
Num cenário tão brutal.
O discurso é liberal,
Mas a prática é tirana,
E a justiça soberana
Se curva ao mando sombrio,
Transformando em desafio
Toda a esperança que emana.
Eis que o povo se levanta
Com coragem e razão,
Mesmo quando a dor é tanta
E sufoca a nação.
Brota a indignação
No olhar do brasileiro,
Que resiste o tempo inteiro
Com fé e sabedoria,
Sonhando com novo dia
Mais justo e verdadeiro.